domingo, 6 de julho de 2008

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A alma e o corpo, o corpo e a alma, que mistérios! Há animalidade na alma e o corpo temos seus momentos de espiritualidade. Os sentidos podem afinar-se e a inteligência, degradar-se. Quem seria capaz de dizer onde cessam as impulsões da carne e onde começam as sugestões psíquicas?
Como são limitadas as arbitrárias definições dos psicólogos! E que dificuldade de decidir entre as pretensões das diversas escolas! A alma seria uma sombra reclusa na casa do pecado? Ou o corpo e a alma não seriam uma só coisa, como pensava Giordano Bruno? A separação do espírito e da matéria era um mistério, como era também um mistério a união da matéria e do espírito.
Como tentamos fazer da psicologia uma ciência tão absoluta, capaz de revelar-nos as menores molas da vida?... Na verdade, nós nos iludimos constantemente e raramente compreendemos os outros. A experiência não tem valor ético. é somente o nome que os homens dão aos seus erros. Os moralistas a apreciam, de ordinário, como uma forma de aviso; reclamaram para ela uma eficácia ética na formação dos caráteres; elogiaram-na como qualquer coisa que nos ensinasse o que cumpre fazer-se e o que convém evitar-se. Não existe, porém, poder algum ativo na experiência. ela é uma coisinha móvel, como a própria consciência. Tudo quanto está verdadeiramente demonstrado é que o nosso futuro poderá ser o que foi o nosso passado e que o pecado, em que uma vez caímos com desgosto, nós cometeremos ainda muitas vezes, e com prazer.

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O retrato de Dorian Gray.

Um comentário:

Marcela Sena disse...

ei vamos marcar uma praia.
to de ferias.
beijos gata e uma boa semana.